| |
Muitas
atividades litúrgicas, acadêmicas, culturais
e devocionais serão desenvolvidas em todas as partes
do mundo cristão neste ano paulino (cuja abertura será
dia 28 de junho corrente e término em 29 de junho de
2009), com destaque para as celebrações na cidade
de Roma, onde se encontra o túmulo do Apóstolo,
na basílica São Paulo Fora dos Muros. O Sumo
Pontífice associou a algumas destas celebrações
a indulgência plenária aos fiéis que delas
participarem. A celebração é ocasião
propícia para um aprofundamento dos estudos da Palavra
de Deus contida na Bíblia, da qual faz parte o chamado
“corpus paulinum”, com treze cartas atribuídas
ao Apóstolo dos Gentios.
Paulo, cujo nome na versão hebraica é Saulo,
nasceu em Tarso, na Cilícia, hoje território
da Turquia, entre os anos 7 e 10, segundo a grande maioria
dos historiadores. Filho de pais judeus da diáspora,
estudou em escola grega e por isso tinha como língua
materna este idioma. Mas também foi formado em doutrina
judaica, em Jerusalém, onde passou parte de sua juventude,
na famosa escola do Rabino Gamaliel. Assim seria fluente também
na língua aramaica. Era fariseu, homem culto, de espírito
empreendedor, de uma têmpera singular em tudo o que
fazia.
Inicialmente, ferrenho perseguidor dos cristãos, a
partir de uma experiência mística, converte-se
ao cristianismo no caminho de Damasco, para onde ia com cartas
das autoridades para aprisionar cristãos. Ele mesmo
afirma ter ouvido a voz de Cristo Ressuscitado, vinda do céu,
que clamava: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”.
(At.9,1-22). A partir de então, torna-se intrépido
apóstolo e missionário do Senhor.
São Paulo é considerado o primeiro teólogo
do cristianismo, sendo seus textos, básicos para toda
a teologia posterior. Foi o primeiro escritor da fé
cristã, através de cartas que enviava às
comunidades, a fim de ensinar, animar a fé, corrigir
distorções doutrinais e reconduzir ao bom caminho
os que moralmente claudicassem.
Com relação ao “corpus paulinum”
do Novo Testamento, há, entre os exegetas, certas incertezas
a respeito da autoria de algumas cartas, podendo ter sido
escritas posteriormente por discípulos, fiéis
à doutrina pregada por Paulo. É o caso das chamadas
cartas pastorais, ou sejam I e II Timóteo e a carta
a Tito. Grande parte dos autores atualmente inclui entre as
dêutero-paulinas, também Efésios, Colossenses
e a 2ª Tessalonicenses. Se isto for comprovado, todas
estas teriam sido escritas após a morte de Paulo, acontecida
por volta do ano 67. Pertencem ao grupo das proto-paulinas,
ou seja, de comprovada autoria de Paulo, as demais, a saber,
Romanos, Gálatas, 1ª Tessalonicenses, 1ª
e 2ª Coríntios, Filipenses e Filêmon.
Sobre a datação das cartas de Paulo, a definição
é sempre aproximativa. A mais antiga teria sido a 1ª
Tessalonicenses, escrita da cidade de Corinto, por volta do
ano 51. Depois viriam as cartas aos Coríntios, a primeira
escrita da cidade de Éfeso, no ano 55 e a segunda enviada
de alguma cidade da Macedônia, entre 55 e 57. Há
suficiente certeza de que Paulo tenha escrito mais duas cartas
aos coríntios, que até o momento se encontram
desaparecidas. A carta aos Gálatas teria sido escrita
entre 55 e 60, embora alguns afirmem que possa ter sido esta
a primeira carta escrita por Paulo. A carta aos Romanos provavelmente
teria sido redigida no ano 57, na cidade de Corinto, endereçada
aos cristãos da capital do Império. A carta
aos Filipenses é datada entre 53 a 58.
Até anos atrás, se considerava também
a chamada carta aos Hebreus como possivelmente de Paulo. Hoje
nenhum autor afirma mais isto e comumente se diz que não
se trata propriamente de uma carta, mas de um texto catequético
em defesa da fé.
Sobre a vida e a ação missionária de
Paulo, nos dá muitas informações também
o livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas,
provavelmente entre os anos 61 e 63, ou mais tardiamente.
Tal livro termina a narração abruptamente e
não se refere à condenação de
Paulo à morte, o que dá idéia de ser
um livro inacabado, redigido antes do seu martírio.
A celebração do Ano Paulino tem como principal
objetivo a evangelização. Todos estamos em processo
de evangelização contínua, católicos
e não católicos, e somos chamados a comunicar
o evangelho de Cristo, morto e ressuscitado, aos que ainda
não crêem e aprofundá-lo no coração
dos que já crêem. Talvez, a palavra mais incisiva
para a vivência deste ano jubilar, seja a de Paulo aos
Coríntios: «Ai de mim, se eu não evangelizar!»
(1 Cor 9,16).
Dom Gil Antônio Moreira - Bispo de Jundiaí-SP
Fonte: www.cnbb.org.br
|