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Desconstrução da Igreja?
O Papa Paulo VI teve a ingente tarefa de levar a bom
termo o Concílio Vaticano II, aprovar seus
documentos e instituir os organismos criados no espírito
do Concílio, principalmente na linha da colegialidade
e da participação. Diante das pressões
e do pluralismo de opiniões, o douto Pontífice
alertou: estamos autodestruindo a Igreja?!
O
desabafo de Paulo VI causou profunda impressão.
No tempo do grande Pio XII a Igreja parecia de granito,
sem abalos. Agora, após João Paulo II,
se começa a falar de novo na crise da Igreja.
Uma professora universitária chegou mesmo a
anunciar em sala de aula a data da morte da Igreja
Católica: em 10 anos!
Na
verdade, as mudanças de toda ordem são
rápidas e profundas. É só pensar
nas migrações do campo para a cidade,
no surgimento de tantos movimentos religiosos autônomos,
nas conseqüências da
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cultura
pós-moderna, no avanço das ciências que
afetam a vida, como a biotecnologia, para citar algumas.
Por
justiça se deve dizer que no Brasil houve também
generosas iniciativas pastorais. Por exemplo, as comunidades
pequenas de rosto humano (as célebres CEBS), como
tentativa de recriar a experiência da Igreja primitiva;
a formação de inúmeros grupos e núcleos
de pessoas no campo e principalmente nas cidades; os movimentos
de espiritualidade e as muitas pastorais; a transformação
das paróquias em redes de comunidades; a pastoral
orgânica ou de conjunto, com planejamento em todos
os níveis; as iniciativas missionárias, como
o Projeto de Igrejas Irmãs e Cristo aponta para a
Amazônia.
É
impressionante ainda a resistência da piedade popular,
influenciando a pastoral bíblica e litúrgica
e inspirando uma nova pastoral de massas, como as romarias,
novenas e encontrões.
Nada
disto, porém, é garantia de vitalidade eclesial.
O segredo da Igreja está na promessa do Senhor: “Não
temais! Eu estarei convosco todos os dias, até o
fim do mundo” (Mt 28,20).
Quem
disse que o Espírito Santo leva a barca de Pedro
sem ventania, sem surpresa, na bonança eterna? Assim
é a plenitude do Reino, cujo início e a cujo
serviço está a Igreja. Agora estamos a caminho,
somos Igreja peregrina, caminhando para o Reino definitivo,
sempre na esperança. É lindo olhar para o
futuro com esperança, na certeza da presença
de Cristo, sob a inspiração do Espírito
Santo. Assim é a construção da Igreja.
Dom
Sinésio Bohn
Bispo
de Santa Cruz do Sul (RS)