Ao
me candidatar como voluntário no NET (National Evangelisation
Teams), sabia que se aceito, teria de deixar muitas coisas para
trás, como normalmente acontece sempre que Jesus nos chama
para uma missão. Depois de ser avaliado e aceito no grupo
de 40 jovens, de países como EUA, Canadá, Nova Zelândia,
Malásia, Gana e da própria Austrália, tive
de rapidamente arrumar minhas malas, deixando família,
namorada, emprego e amigos, para essa grande viagem. A comunidade
da Sagrada Família, o Pe. Reinaldo e outras pessoas da
Diocese me deram um apoio enorme, que me deixou extremamente encorajado.
Ao chegar na Austrália, fui para Brisbane, cidade litorânea
de pouco mais de 1 milhão de habitantes, numa região
tropical, entre as famosas Sunshine Coast e Gold Coast. Todos
nós jovens missionários recebemos treinamento de
5 semanas num acampamento, para aprendermos a maneira NET de evangelizar.
Há mais de 18 anos na Austrália, o NET acumulou
uma enorme experiência para evangelização
jovens, tendo como base a construção de relacionamentos.
O treinamento foi fundamental para aprendermos as ferramentas,
que nos possibilitariam testemunhar Jesus de maneira eficaz na
realidade daqueles jovens. Neste período nos ambientamos,
e cada qual experimentou o apoio de novos amigos, e também
uma experiência profunda do Amor de Deus numa situação
nova a todos.
Estes 40 missionários formaram 3 tipos de time, que seriam
enviados para a missão:
Time local: que trabalha exclusivamente na paróquia que
o sedia, gerando envolvimento da juventude local, formação
de líderes, criando eventos e retiros de acordo com aquela
realidade local.
Time diocesano: serve à Diocese, trabalhando não
só nos grupos de jovens das paróquias, mas também
nas escolas católicas da própria Diocese.
Time itinerante: Viaja aproximadamente 30.000km, por grande parte
da Austrália numa van, conduzindo retiros pré-agendados
em escolas e paróquias de todo o país.
No ano de 2005, formamos 3 times locais, 2 itinerantes e um Diocesano,
que era o meu time. No meio de fevereiro de 2005 eu e meu time
fomos enviados para Melbourne, evangelizar na maior Arquidiocese
da Oceania. Meu time trabalharia junto ao CYM(Catholic Youth Ministry),
que é o escritório da Arquidiocese para a juventude.
Mas
como funciona?
O CYM havia divulgado e agendado o trabalho do NET por toda a
Arquidiocese, e os líderes dos grupos de jovens, pastorais,
ou diretores do ensino religioso nas escolas agendavam eventos
ou retiros, de acordo com a necessidade deles. Por exemplo: em
determinada escola o diretor precisa de um retiro para 80 rapazes
da 8ª série com o tema Pressão da Sociedade,
durante um dia inteiro (9 às 15hs). Esse diretor entra
em contato com o CYM e requisita o serviço do NET em Melbourne,
e paga as despesas para isso. Nos já tínhamos um
“cardápio de temas” sugeridos, para os quais
já tínhamos um vasto material preparado. Dentro
da proposta, preparávamos o retiro com o intuito de construir
um relacionamento autêntico com aqueles jovens, de onde
poderíamos partilhar a nossa experiência com Cristo
e com a Igreja Católica. Para isso usávamos teatros,
música, dinâmicas, jogos, palestras, testemunhos
e oração.
Big
Brother
A vida comunitária era a base para a missão. Eu
e mais 6 jovens “netters” morávamos na mesma
casa cedida pela Arquidiocese, e dentro das exigências necessárias
para uma vida comunitária, nos empenhávamos para
viver Cristo especialmente nos nossos deveres e obrigações,
e especialmente nos relacionamentos dentro da casa. Éramos
a antítese do Big Brother, onde realmente buscávamos
viver como irmãos e irmãs, mas sem poder mandar
ninguém para o “paredão”. Toda missão
fora da casa seria fecunda na medida em que fôssemos fiéis
aos nossos propósitos na vida comunitária. Diariamente
tínhamos horário para oração pessoal,
para oração comunitária, para cozinhar e
lavar a louça, praticar os teatros, entre outras obrigações.
A experiência de vida comunitária foi certamente
onde mais cresci no auto-conhecimento e na prática sincera
do amor. Em frente a minha casa era a casa dos salesianos. Havia
na casa 6 seminaristas salesianos e 2 padres, Tim e Frank, que
editava o Boletim Salesiano da Austrália, que estudavam
teologia ou trabalhavam na Escola Salesiana de Melbourne. Os seminaristas
eram de diversos lugares como Samoa, Brunei, Tailândia,
etc... Mas o carisma salesiano era evidente e me senti em casa,
com a família salesiana.
Que
país é esse?
Veja se adivinha: No esporte as cores são o verde e o amarelo,
o país tem dimensões continentais, tendo em grande
parte de seu território um clima quente, tropical, sua
capital foi planejada, e não é a principal cidade
do país. Sua colonização foi feita por um
país europeu, que enviou os criminosos condenados em navios
para iniciar a colonização. Além disso, o
país colonizador tratou de explorar brutalmente os indígenas
nativos do país. Que país é esse? Brasil?
Não! È a Austrália! Com todas essas semelhanças
com o Brasil, é preciso contar também algumas diferenças.
A capital, planejada como também foi Brasília, Não
é Sydney ou Melbourne, mas Canberra. O país tem
quase 20 milhões de habitantes, e aproximadamente 25% da
população é católica. Anglicanos e
outras denominações cristãs correspondem
à 50% da população, e religiões diversas
aos outros 25%, em proporções nada precisas. De
maneira geral, a cultura é muito secular, e a religião
não tem a importância que tem na sociedade daqui.
No entanto, o povo é muito acolhedor, e não sofri
nenhuma espécie de constrangimento por ser brasileiro.
Pelo contrário, fui sempre muito bem recebido. Ao comparar
Austrália e Brasil, me tornei mais brasileiro do que nunca.
A Austrália é um país fantástico,
mas conhecendo-me mais brasileiro, me senti mais comprometido
em de alguma maneira lutar contra a desesperança instalada
em nosso país. E se há aqui algum espaçozinho
para uma partilha, sem querer ser pedante, quero dizer que me
sinto comprometido enquanto cidadão e cristão a
lutar contra a condescendência em relação
à corrupção e a mentira, instalada na mentalidade
da grande maioria dos brasileiros. Políticos são
fruto de famílias brasileiras, envolvidas na sociedade
que exalta quem leva vantagem custe o que custar. Daquele slogan
“Brasil: Ame-o ou deixe-o”, resolvi aprender a amá-lo
sendo um brasileiro melhor, mais justo, mais ético.
Frutos
Como resultado da missão, atingimos diretamente mais de
4.500 jovens em retiros e outros eventos de evangelização.
Jovens estes que receberam o anúncio explícito de
que Deus os ama, receberam o convite a se tornarem amigos de Jesus,
ouviram o testemunho dos jovens do meu time e de como é
importante perseverar na oração, nos sacramentos,
cultivar amizades e servir ao próximo. Lembro-me de um
momento muito marcante, que gostaria de compartilhar. Num evento
para angariar fundos, conseguimos através de amigos que
dois cantores australianos, nacionalmente famosos, cantassem num
show em uma casa noturna, a mais popular da cidade de Melbourne:
o Crown Casino. Esse show foi divulgado em diversos meio seculares
por toda a cidade, na intenção de juntar o dinheiro
em benefício da missão evangelizadora, mas também
de evangelizar os que lá estivessem. E antes do show dos
2 principais artistas da música secular, o meu time do
NET foi apresentado, explicaram sobre nosso trabalho e então
daríamos uma amostra no palco. Apresentamos uma encenação
com música, que mostrava Jesus salvando uma jovem do “poder
do mal”. Todos prestaram muita atenção, e
na hora “H”, no clímax, as mais de 400 pessoas
presentes ovacionaram Jesus ruidosamente, vibrando com a Sua vitória
sobre o mal. Depois do show, muitas pessoas disseram que foram
profundamente tocadas, algumas que inclusive nem cristãs
eram, chegaram a chorar.
E
o que o Papa vai achar quando chegar em Sydney?
A capital da Austrália é Canberra, e não
Sydney, como já disse anteriormente, mas Sydney é
a maior cidade, e também a mais famosa. Depois de sediar
os jogos olímpicos de 2000, mostrou-se mais do que um destino
turístico atraente, mas também uma cidade com infra-estrutura
para acolher eventos de relevância global, como a JORNADA
MUNDIAL DA JUVENTUDE, que em 2008 será em Sydney. Na última
Jornada realizada em 2005, o Papa Bento se encontrou com mais
de 1 milhão de jovens do mundo inteiro em Colônia,
na Alemanha. Ao chegar em Sydney, na Austrália, o Papa
encontrará uma belíssima cidade, tomada por milhares
de jovens do mundo inteiro, que terão feito sua peregrinação
de fé. Será que nós estaremos lá?
Por que não?
Dois
bons convites (ou seriam chamados?).
O primeiro é para quem quer fazer a experiência de
dedicar um ano da própria vida para a evangelização,
sem ser necessariamente chamado à vida religiosa, ou parte
de uma comunidade de vida. Para quem tem entre 17 e 30 anos e
quer falar da sua experiência com Jesus para outros jovens,
mas de uma maneira dinâmica. É para quem quer somar
à evangelização uma dose de aventura muito
grande, ao conhecer pessoas e lugares diferentes numa rotina exigente,
mas onde a diversão é fundamental. Quem quiser fazer
um intercâmbio não só cultural, mas principalmente
de fé, pode estar sendo chamado por Deus a ser missionário!
Se você quiser fazer a experiência de ser missionário
por um ano com o NET, na Austrália, Estados Unidos ou Canadá,
pode entrar em contato comigo, ou visitar o site do NET, que informo
logo abaixo.
O segundo convite, mas não menos especial, é para
a Jornada Mundial da Juventude de 2008 em Sydney. A experiência
de encontrar jovens católicos do mundo todo buscando o
mesmo ideal é extremamente fortalecedora na fé,
e também um testemunho para o mundo de que o jovem católico
está mais ativo do que nunca. Dioceses, paróquias,
escolas e agências de turismo já estão preparando
seus grupos para esta peregrinação. Procure se encaixar
desde já, pois quanto antes começa a preparação,
mais fácil é angariar fundos para despesas, como
mais frutuosa espiritualmente será sua Jornada.
Para
encerrar deixo o meu profundo agradecimento a todos que me apoiaram
de diversas maneiras, e também um desafio aos jovens que
querem fazer algo radical com suas vidas, que inclui adrenalina,
aventura, e principalmente muito amor ao próximo, que façam
a experiência de se tornarem missionários, ainda
que por um breve período.
Um
grande abraço a todos,
Guilherme
Rosa