Sagrada Família
   
 

 



Testemunho do jovem Guilherme


[Atos 1,8]
“... E sereis minhas testemunhas em Jerusalém, Samaria, e até os confins do mundo...” Ou seja, na Austrália!


A Austrália certamente corresponde à condição de “confins do mundo”, ao menos para mim, que saí de São José dos Campos, atravessei mais de 13.000 km em quase 24 horas de vôo. Muitos brasileiros têm descoberto na Austrália um destino atraente para intercâmbio cultural, estudo e turismo, mas a razão da minha viagem foi outra: evangelizar. Não que a beleza natural do país não tenha pesado em minha decisão, mas o meu chamado primeiro foi para testemunhar Jesus vivo e presente, também do outro lado do mundo.

Ao me candidatar como voluntário no NET (National Evangelisation Teams), sabia que se aceito, teria de deixar muitas coisas para trás, como normalmente acontece sempre que Jesus nos chama para uma missão. Depois de ser avaliado e aceito no grupo de 40 jovens, de países como EUA, Canadá, Nova Zelândia, Malásia, Gana e da própria Austrália, tive de rapidamente arrumar minhas malas, deixando família, namorada, emprego e amigos, para essa grande viagem. A comunidade da Sagrada Família, o Pe. Reinaldo e outras pessoas da Diocese me deram um apoio enorme, que me deixou extremamente encorajado.
Ao chegar na Austrália, fui para Brisbane, cidade litorânea de pouco mais de 1 milhão de habitantes, numa região tropical, entre as famosas Sunshine Coast e Gold Coast. Todos nós jovens missionários recebemos treinamento de 5 semanas num acampamento, para aprendermos a maneira NET de evangelizar. Há mais de 18 anos na Austrália, o NET acumulou uma enorme experiência para evangelização jovens, tendo como base a construção de relacionamentos. O treinamento foi fundamental para aprendermos as ferramentas, que nos possibilitariam testemunhar Jesus de maneira eficaz na realidade daqueles jovens. Neste período nos ambientamos, e cada qual experimentou o apoio de novos amigos, e também uma experiência profunda do Amor de Deus numa situação nova a todos.
Estes 40 missionários formaram 3 tipos de time, que seriam enviados para a missão:
Time local: que trabalha exclusivamente na paróquia que o sedia, gerando envolvimento da juventude local, formação de líderes, criando eventos e retiros de acordo com aquela realidade local.
Time diocesano: serve à Diocese, trabalhando não só nos grupos de jovens das paróquias, mas também nas escolas católicas da própria Diocese.
Time itinerante: Viaja aproximadamente 30.000km, por grande parte da Austrália numa van, conduzindo retiros pré-agendados em escolas e paróquias de todo o país.
No ano de 2005, formamos 3 times locais, 2 itinerantes e um Diocesano, que era o meu time. No meio de fevereiro de 2005 eu e meu time fomos enviados para Melbourne, evangelizar na maior Arquidiocese da Oceania. Meu time trabalharia junto ao CYM(Catholic Youth Ministry), que é o escritório da Arquidiocese para a juventude.

Mas como funciona?
O CYM havia divulgado e agendado o trabalho do NET por toda a Arquidiocese, e os líderes dos grupos de jovens, pastorais, ou diretores do ensino religioso nas escolas agendavam eventos ou retiros, de acordo com a necessidade deles. Por exemplo: em determinada escola o diretor precisa de um retiro para 80 rapazes da 8ª série com o tema Pressão da Sociedade, durante um dia inteiro (9 às 15hs). Esse diretor entra em contato com o CYM e requisita o serviço do NET em Melbourne, e paga as despesas para isso. Nos já tínhamos um “cardápio de temas” sugeridos, para os quais já tínhamos um vasto material preparado. Dentro da proposta, preparávamos o retiro com o intuito de construir um relacionamento autêntico com aqueles jovens, de onde poderíamos partilhar a nossa experiência com Cristo e com a Igreja Católica. Para isso usávamos teatros, música, dinâmicas, jogos, palestras, testemunhos e oração.

Big Brother
A vida comunitária era a base para a missão. Eu e mais 6 jovens “netters” morávamos na mesma casa cedida pela Arquidiocese, e dentro das exigências necessárias para uma vida comunitária, nos empenhávamos para viver Cristo especialmente nos nossos deveres e obrigações, e especialmente nos relacionamentos dentro da casa. Éramos a antítese do Big Brother, onde realmente buscávamos viver como irmãos e irmãs, mas sem poder mandar ninguém para o “paredão”. Toda missão fora da casa seria fecunda na medida em que fôssemos fiéis aos nossos propósitos na vida comunitária. Diariamente tínhamos horário para oração pessoal, para oração comunitária, para cozinhar e lavar a louça, praticar os teatros, entre outras obrigações. A experiência de vida comunitária foi certamente onde mais cresci no auto-conhecimento e na prática sincera do amor. Em frente a minha casa era a casa dos salesianos. Havia na casa 6 seminaristas salesianos e 2 padres, Tim e Frank, que editava o Boletim Salesiano da Austrália, que estudavam teologia ou trabalhavam na Escola Salesiana de Melbourne. Os seminaristas eram de diversos lugares como Samoa, Brunei, Tailândia, etc... Mas o carisma salesiano era evidente e me senti em casa, com a família salesiana.

Que país é esse?
Veja se adivinha: No esporte as cores são o verde e o amarelo, o país tem dimensões continentais, tendo em grande parte de seu território um clima quente, tropical, sua capital foi planejada, e não é a principal cidade do país. Sua colonização foi feita por um país europeu, que enviou os criminosos condenados em navios para iniciar a colonização. Além disso, o país colonizador tratou de explorar brutalmente os indígenas nativos do país. Que país é esse? Brasil? Não! È a Austrália! Com todas essas semelhanças com o Brasil, é preciso contar também algumas diferenças. A capital, planejada como também foi Brasília, Não é Sydney ou Melbourne, mas Canberra. O país tem quase 20 milhões de habitantes, e aproximadamente 25% da população é católica. Anglicanos e outras denominações cristãs correspondem à 50% da população, e religiões diversas aos outros 25%, em proporções nada precisas. De maneira geral, a cultura é muito secular, e a religião não tem a importância que tem na sociedade daqui. No entanto, o povo é muito acolhedor, e não sofri nenhuma espécie de constrangimento por ser brasileiro. Pelo contrário, fui sempre muito bem recebido. Ao comparar Austrália e Brasil, me tornei mais brasileiro do que nunca. A Austrália é um país fantástico, mas conhecendo-me mais brasileiro, me senti mais comprometido em de alguma maneira lutar contra a desesperança instalada em nosso país. E se há aqui algum espaçozinho para uma partilha, sem querer ser pedante, quero dizer que me sinto comprometido enquanto cidadão e cristão a lutar contra a condescendência em relação à corrupção e a mentira, instalada na mentalidade da grande maioria dos brasileiros. Políticos são fruto de famílias brasileiras, envolvidas na sociedade que exalta quem leva vantagem custe o que custar. Daquele slogan “Brasil: Ame-o ou deixe-o”, resolvi aprender a amá-lo sendo um brasileiro melhor, mais justo, mais ético.

Frutos
Como resultado da missão, atingimos diretamente mais de 4.500 jovens em retiros e outros eventos de evangelização. Jovens estes que receberam o anúncio explícito de que Deus os ama, receberam o convite a se tornarem amigos de Jesus, ouviram o testemunho dos jovens do meu time e de como é importante perseverar na oração, nos sacramentos, cultivar amizades e servir ao próximo. Lembro-me de um momento muito marcante, que gostaria de compartilhar. Num evento para angariar fundos, conseguimos através de amigos que dois cantores australianos, nacionalmente famosos, cantassem num show em uma casa noturna, a mais popular da cidade de Melbourne: o Crown Casino. Esse show foi divulgado em diversos meio seculares por toda a cidade, na intenção de juntar o dinheiro em benefício da missão evangelizadora, mas também de evangelizar os que lá estivessem. E antes do show dos 2 principais artistas da música secular, o meu time do NET foi apresentado, explicaram sobre nosso trabalho e então daríamos uma amostra no palco. Apresentamos uma encenação com música, que mostrava Jesus salvando uma jovem do “poder do mal”. Todos prestaram muita atenção, e na hora “H”, no clímax, as mais de 400 pessoas presentes ovacionaram Jesus ruidosamente, vibrando com a Sua vitória sobre o mal. Depois do show, muitas pessoas disseram que foram profundamente tocadas, algumas que inclusive nem cristãs eram, chegaram a chorar.

E o que o Papa vai achar quando chegar em Sydney?
A capital da Austrália é Canberra, e não Sydney, como já disse anteriormente, mas Sydney é a maior cidade, e também a mais famosa. Depois de sediar os jogos olímpicos de 2000, mostrou-se mais do que um destino turístico atraente, mas também uma cidade com infra-estrutura para acolher eventos de relevância global, como a JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE, que em 2008 será em Sydney. Na última Jornada realizada em 2005, o Papa Bento se encontrou com mais de 1 milhão de jovens do mundo inteiro em Colônia, na Alemanha. Ao chegar em Sydney, na Austrália, o Papa encontrará uma belíssima cidade, tomada por milhares de jovens do mundo inteiro, que terão feito sua peregrinação de fé. Será que nós estaremos lá? Por que não?

Dois bons convites (ou seriam chamados?).
O primeiro é para quem quer fazer a experiência de dedicar um ano da própria vida para a evangelização, sem ser necessariamente chamado à vida religiosa, ou parte de uma comunidade de vida. Para quem tem entre 17 e 30 anos e quer falar da sua experiência com Jesus para outros jovens, mas de uma maneira dinâmica. É para quem quer somar à evangelização uma dose de aventura muito grande, ao conhecer pessoas e lugares diferentes numa rotina exigente, mas onde a diversão é fundamental. Quem quiser fazer um intercâmbio não só cultural, mas principalmente de fé, pode estar sendo chamado por Deus a ser missionário!
Se você quiser fazer a experiência de ser missionário por um ano com o NET, na Austrália, Estados Unidos ou Canadá, pode entrar em contato comigo, ou visitar o site do NET, que informo logo abaixo.
O segundo convite, mas não menos especial, é para a Jornada Mundial da Juventude de 2008 em Sydney. A experiência de encontrar jovens católicos do mundo todo buscando o mesmo ideal é extremamente fortalecedora na fé, e também um testemunho para o mundo de que o jovem católico está mais ativo do que nunca. Dioceses, paróquias, escolas e agências de turismo já estão preparando seus grupos para esta peregrinação. Procure se encaixar desde já, pois quanto antes começa a preparação, mais fácil é angariar fundos para despesas, como mais frutuosa espiritualmente será sua Jornada.

Para encerrar deixo o meu profundo agradecimento a todos que me apoiaram de diversas maneiras, e também um desafio aos jovens que querem fazer algo radical com suas vidas, que inclui adrenalina, aventura, e principalmente muito amor ao próximo, que façam a experiência de se tornarem missionários, ainda que por um breve período.

Um grande abraço a todos,

Guilherme Rosa



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